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Seja bem-vindo! Desejamos que este blog abra mais portas para a leitura, como ação inteligente e reflexiva, estimulando os alunos de forma prazerosa, dando-lhes oportunidades para se “apaixonarem” pelo mundo literário. Acreditamos no processo lúdico como estratégia de ensino, principalmente nas atividades de leitura e interpretação. Se você tem experiências, “plante” conosco!

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    Mais um selo!

    Pessoal, ganhamos mais um selo. Desta vez quem nos presenteou foi o blog Vivendo Educação ( http://vivendoeducacao.blogspot.com/ ). Agora devemos indicar para também receber este prêmio mais 10 blogs. Eles merecem! Segue também as regras de recebimento e envio desse selo.

    Já teve curiosidade de ver sua caricatura?

    1- Exiba a imagem do selo “Olha Que Blog Maneiro” que você acabou de ganhar!

    2- Poste o link do blog que te indicou.

    3- Indique 10 blogs de sua preferência.

    4- Avise seus indicados.

    5- Publique as regras.

    6- Confira se os blogs indicados repassaram o selo e as regras.

    7- Envie sua foto ou de um(a) amigo(a) para olhaquemaneiro@gmail.com juntamente com os 10 links dos blogs indicados para verificação.

    Caso os blogs tenham repassado o selo e as regras corretamente, dentro de alguns dias você receberá 1 caricatura em P&B.

    Atenção: Faremos a indicação no fim deste mês.



    Escrito por Géssica e/ou Krika às 15h06
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    A literatura e o ensino de leitura para o público juvenil - por Krika

      Para nossa reflexão:

    A LITERATURA E O ENSINO DE LEITURA
    PARA O PÚBLICO JUVENIL

    Márcia Nunes Duarte (UFRJ)
    Leonor Werneck
    (UFRJ)

    Um trabalho diversificado e criativo com a leitura tem sido cada vez mais necessário na escola atual, tendo em vista as crescentes transformações e exigências da nossa sociedade e do mercado de trabalho, quanto à capacidade de ler e interpretar textos.

     

    Qual é o papel da escola na formação de um cidadão crítico, participativo, de um cidadão-leitor? A escola e as aulas de Língua Portuguesa têm se preocupado com a formação de leitores?

    Atualmente, percebe-se que os alunos ao chegarem ao ensino médio apresentam imensas dificuldades de leitura / interpretação de textos e que as aulas de Língua Portuguesa até então, não estão privilegiando a leitura e sim a gramática normativa. E essa abordagem tradicional da linguagem é uma das causas para as dificuldades dos alunos na área da leitura.

    O presente trabalho de pesquisa vem analisar a relação leitura / literatura nas aulas de Língua Portuguesa; como a Literatura é encarada nesse processo de ensino de leitura, que tratamento é dado a ela desde a Pedagogia Tradicional até os dias de hoje; se a forma como tem sido ensinada contribuiu ou não para a resistência e dificuldade dos alunos com a linguagem literária; quais são os pressupostos teóricos a respeito da leitura e as diretrizes dos Parâmetros Curriculares Nacionais do Ensino Fundamental e Médio acerca do assunto.

    Segundo Antunes (2003), o trabalho com a leitura ainda está centrado em habilidades mecânicas de decodificação da escrita, muitas vezes sem reflexão, sem diálogo com o texto. Quando a leitura é utilizada, serve de pretexto para atividades metalingüísticas ou finalidades meramente avaliativas.

    Para Kleiman (2004) existem duas concepções de texto e de leitura que se perpetuam ainda hoje nas escolas. Ou o texto é visto como repositório de mensagens e informações ou é visto como um conjunto de elementos gramaticais.

    Partindo dessas concepções de texto, o trabalho com a leitura que daí deriva constitui-se de cópia literal de expressões do texto, leitura em voz alta,respostas a questionários de interpretação, extração dos significados das palavras, etc.

    A leitura deve ser trabalhada de acordo com o gênero textual a ser utilizado; tendo objetivos diferentes para cada tipo de texto. São diversas as maneiras de ler como diversos são os textos e os objetivos de leitura. Para Geraldi (2004: 91), “leitura é um processo de interlocução entre leitor / autor mediado pelo texto. (...) O leitor não é passivo, mas agente que busca significações”.

    Quanto ao texto literário, este tem uma linguagem específica, a conotativa, que em entrevista com os jovens de uma escola pública estadual foi constatada a dificuldade de interpretar essa linguagem. Tal fato reflete a falta de conhecimento da natureza do texto literário e evidencia a abordagem tradicional e autoritária que tem sido dada à Literatura e à leitura, pois os próprios jovens afirmaram que gostam de ler e reconhecem a importância da leitura.

    Diante dessa realidade, percebe-se que não há interação entre o aluno e o texto literário. Por não entender que se trata de uma linguagem artisticamente trabalhada e não compreender seu vocabulário, que muitas vezes é de outro século, o aluno cria um distanciamento em relação à Literatura e acaba aceitando a interpretação do professor sem promover um diálogo com o texto.

    Com o passar do tempo, de poesia foram sendo incluídos novos gêneros: a tragédia, o drama, o romance, gerando confusão terminológica. Até hoje é difícil definir ao certo o que é literatura. Segundo Magnani (2001: 6), “De acordo com Vernier, o melhor é falar em corpus literário, ou seja, um conjunto de textos eleitos, através de juízos de valor, como literários em determinada época e por determinada classe social.”

    (...)O ensino de Literatura precisa ser repensado e libertado de associações ideológicas ou históricas que sirvam a uma determinada classe social que dita quais obras literárias devem ser modelos para a leitura; de que forma a escola deve trabalhá-las em sala; o que deve ser ensinado. E desvinculado de pedagogias que ofereçam receitas a serem seguidas, importadas de realidades estrangeiras.

    A Literatura precisa ser encarada como fenômeno artístico, considerada em sua natureza educativa por excelência, porque traz valores, crenças, ideias, pontos de vista de seus autores, que podem enriquecer a vida daqueles que a leem. Não deve estar presa a modismos pedagógicos e sim ser considerada como uma atividade prazerosa de conhecimento do ser humano e das diversas funções da linguagem, dentre elas a função poética, pois retrata e recria as questões humanas universais, numa linguagem esteticamente trabalhada, transgressora da rotina cotidiana.

    Dependendo da forma com que é trabalhada em sala, a literatura pode ser tudo ou nada. Tudo se conseguir unir sensibilidade e conhecimento, nada se seguir cegamente os passos de uma pedagogia tradicional e burguesa.

    Para Kleiman (2004b), o ensino de leitura pode ser viável se não privilegiar uma única leitura autorizada. Uma proposta coerente seria o ensino de estratégias de leitura e o desenvolvimento de habilidades linguísticas, que são características de um bom leitor. Partindo de um modelo de leitor proficiente, o professor modelaria e exercitaria no aluno estratégias de leitura.

    Para a autora é preciso que se tenha um objetivo para a aula de leitura e em segundo lugar se faça predições quanto ao conteúdo do texto a ser lido. Essas predições se baseiam em conhecimentos prévios sobre o assunto, o autor, a época, o gênero, o desenvolvimento do tema,etc. O importante é o aluno perceba que para cada tipo de texto e principalmente para o texto literário, ele precisará utilizar estratégias diferentes para a leitura e compreensão dos textos.

    Segundo Geraldi (2004) o ponto primordial para o sucesso ao incentivo à leitura seria recuperar e trazer para dentro da escola o prazer de ler e o respeito às leituras anteriores do aluno. Até mesmo os professores não começaram sua trajetória como leitores lendo de início os clássicos. Segundo o mesmo autor (2004: 99), “não há leitura qualitativa no leitor de um livro”, o que significa que os professores devem propiciar aos alunos um maior número de leituras, ainda que a interlocução que o aluno faça hoje não seja a esperada pelos docentes.

    De acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais do Ensino Médio, a Literatura deve estar integrada às aulas de leitura e a metodologia de ensino deve considerar o caráter sócio-interacionista da linguagem verbal, tendo o texto como objeto de trabalho, considerado nos diversos gêneros que circulam em nossa sociedade.

    A língua deve ser considerada como uma entre outras linguagens existentes, que constrói e “desconstrói” sentidos. A língua materna deve ser trabalhada de forma contextualizada, tendo como ponto de partida a realidade cotidiana do aluno.

    O objetivo do ensino de Língua Portuguesa e da aula de leitura será desenvolver no aluno sua visão crítica de mundo, a percepção das múltiplas formas de expressão da linguagem e sua habilidade de leitor proficiente dos diversos textos representativos de nossa cultura. Deve também considerar a necessária aquisição e o desenvolvimento de três competências: interativa, gramatical e textual.



    Escrito por Géssica e/ou Krika às 16h04
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    A tradicional aula de Literatura Brasileira em que predomina a memorização das características de estilos de época, nome de autores e obras não atende mais às necessidades educativas dos alunos.

    A seleção de conteúdos, de acordo com os PCNEM, não mais privilegiará a memorização de informações, mas será baseada em eixos estruturadores da Área de Códigos e suas Tecnologias.

    São eles: Representação e Comunicação; Investigação e Compreensão e Contextualização Sociocultural, que são organizados em competências / habilidades e temas, sugeridos por esse documento: Usos da Língua; Diálogo entre textos: um exercício de leitura; ensino de gramática: algumas reflexões e texto como representação do imaginário e construção do patrimônio cultural. Esses temas podem ser desdobrados em unidades temáticas seguidas das respectivas competências e habilidades a serem desenvolvidas nas aulas de Língua e Literatura.

     

    O trabalho com a leitura é mencionado quando se fala do diálogo entre os textos. Consiste em desenvolver as seguintes competências:

    . analisar os recursos linguísticos e expressivos dos textos e seus suportes;

    .reconhecer as características dos diversos tipos de textos (poéticos, narrativos, argumentativos, opinativos e informativos);

    .compreender as diferenças entre um texto literário e outro não-literário;

    .reconhecer textos como um objeto sócio-historicamente construído;

    .relacionar texto e contexto;

    .perceber o diálogo entre os textos (intertextualidade) e confrontar opiniões e pontos de vista sobre as diferentes manifestações da linguagem verbal.

    Os PCN de Ensino Fundamental estabelecem de forma mais detalhada os objetivos gerais e específicos para a área de leitura e relaciona também os conteúdos e os tipos de leitura a serem desenvolvidos em sala, facilitando o entendimento dos PCNEM.

    De acordo com os PCN de Ensino Fundamental, os textos literários considerados para o trabalho com a leitura são:

    O conto, a novela, o romance, a crônica, o poema e o texto dramático.

    As aulas de leitura teriam como objetivos específicos o desenvolvimento de habilidades de inferência, análise e síntese, percepção de informações implícitas e da relação entre os textos e os seus mecanismos de construção e organização.

     Os conteúdos a serem trabalhados seriam a ambiguidade, a ironia, as figuras de linguagem, a intertextualidade, os pressupostos e subentendidos, o contexto linguístico e extralinguístico etc.

    Para Kleiman (2004b), identificar o contexto linguístico do texto é importante para que seja ensinada e aprendida a habilidade de inferência lexical, que facilitaria a leitura do aluno quando se deparasse com um léxico desconhecido, principalmente em um texto literário. A fim de evitar a dependência do uso do dicionário e o estacionamento na leitura por não se reconhecer de imediato uma ou mais palavras, o ensino de estratégias de inferência lexical e o reconhecimento de pistas lingüísticas através de palavras-chave, torna o leitor mais ágil na leitura.

    Segundo Antunes (2003), as pistas que o texto oferece ao leitor, não são tudo o que ele precisa para entender um texto. A interpretação de um texto depende em grande parte de outros conhecimentos além do conhecimento da língua. O conhecimento de mundo do leitor somado às pistas e informações que o texto traz, formam uma rede de reconstruções do sentido e das intenções pretendidas pelo autor.

    Portanto, antes de se pensar em um programa de incentivo à leitura nas escolas não se pode deixar de diagnosticar a realidade sociocultural dos alunos e da comunidade em volta da escola. Quais são seus gostos? Seus anseios e sonhos? Reconhecem a importância da leitura e da literatura? Quais são suas experiências de leitura?

    Segundo Silva (2003b: 103),

    O ensino de leitura sempre pressupõe três fatores: as finalidades, os conteúdos (textos) e as pessoas envolvidas no processo, ou seja, as características dos alunos e da turma a ser trabalhada. Sem a presença desses três fatores, o trabalho com a leitura / literatura corre o risco de se tornar vazio ou um “receituário” em que se repetem esquemas já prontos.

    Para se conseguir que o aluno se torne um leitor crítico, o ensino deve colocar o texto como uma possibilidade de reflexão e recriação, associando a atividade de leitura à produção de outros textos pelos alunos e facilitando a expressão de suas visões sobre o texto.

    Porém, sabe-se que o professor encontra-se diante de uma realidade educacional que não permite em termos de estrutura, um trabalho diversificado em suas aulas. Para criar e inovar o professor precisa investir em sua formação continuada e em uma constante atualização.

    Além das causas pedagógicas, que dificultam o desenvolvimento das habilidades de leitura / interpretação de textos, existem também as causas políticas e sociais, que condicionam a desigualdade de condições de acesso à leitura e ao livro no Brasil.

    A maioria dos alunos de escolas públicas não têm condições de adquirir livros variados. A única opção de leitura destes alunos são os textos jornalísticos, que são mais baratos para aquisição e possuem uma linguagem mais próxima à sua realidade cotidiana. E os momentos na sala de aula talvez sejam os únicos momentos de leitura a que estes alunos estejam expostos.

    Diante deste quadro, percebe-se uma distância entre teoria / prática, ensino / pesquisa que evidencia as contradições da realidade brasileira. O consumo da leitura repete as desigualdades no consumo dos bens materiais.

    Em contrapartida, os alunos em resposta a um questionário de pesquisa realizado em uma escola pública noturna, demonstraram valorizar aulas dinâmicas, com músicas, poesias e filmes. Se os professores conversarem mais com seus alunos; promoverem debates sobre a leitura, sua importância e o prazer de ler; se procurarem investigar seus interesses e dificuldades, com certeza receberão muitas ideias e respostas positivas por parte deles.       

     

     Mesmo com falta de recursos da escola brasileira nos dias atuais, o professor deve e pode fazer alguma coisa dentro da sua realidade de sala de aula para amenizar as dificuldades de leitura dos alunos e sua resistência aos textos literários.

    O texto literário deve ser discutido e analisado por professores e alunos, numa relação de diálogo, trocas e respeito à fala e à voz do aluno, bem como às suas leituras anteriores.

    A Literatura, como toda arte, é a expressão do próprio homem. Como expressão humana, conduz ao autoconhecimento e por sua natureza ficcional, à imaginação. Num mundo tão conturbado como o nosso, a literatura é o espaço da criação, da liberdade de pensar, retirando a criatura da escravidão de pensamentos, da passividade própria de uma sociedade dominadora. Ela desenvolve a criatividade humana, leva a refletir sobre o indivíduo e a sociedade.

    Por isso, a despeito de todo desprezo que possa sofrer nas mãos de determinadas políticas educacionais, a Literatura deve ser trabalhada de forma livre e criativa, aproveitando seu permanente diálogo com outras artes como a música e o teatro, para favorecer uma crescente aproximação do texto literário com o aluno.

     

     

    BIBLIOGRAFIA

    ANTUNES, Irandé. Aula de Português: Encontro e Interação. São Paulo: Parábola, 2003.

    GERALDI, Wanderley João (org.). O texto na sala de aula. São Paulo: Ática, 2004.

    KLEIMAN, Ângela B. Leitura: Ensino e pesquisa. São Paulo: Pontes, 2004ª.

    ––––––. Oficina de leitura: Teoria e Prática. São Paulo: Pontes, 2004b.

    MAGNANI, Maria do Rosário M. Leitura, Literatura e Escola: sobre a formação do gosto. São Paulo: Martins Fontes, 2001.

    MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO. Parâmetros Curriculares Nacionais do Ensino Médio: Área de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias. Brasília: Secretaria de Educação Média e Tecnológica / MEC, 1999.

    ––––––. Parâmetros Curriculares nacionais: terceiro e quarto ciclos do ensino fundamental: Língua Portuguesa. Brasília: MEC / SEF, 1998.

    SILVA, Ezequiel T. da. Elementos de uma Pedagogia da Leitura. São Paulo: Martins Fontes, 2003a

    ––––––. Leitura na Escola e na Biblioteca. São Paulo: Papirus, 2003b.

    ZILBERMAN & SILVA. Literatura e Pedagogia. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1990.



    Escrito por Géssica e/ou Krika às 16h02
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